segunda-feira, 4 de abril de 2011

Zé Mário


Durante os anos que antecederam nossa vitória nas eleições e nossa posse, muitos foram os preparativos.
Sabia bem o que queria fazer no clube. Especialmente no futebol.
O Medina estava no mundo árabe e trocávamos e-mails quase diariamente preparando ações.
Entre estas ações estava nossa preocupação com a contratação do treinador.
Sabíamos que não seríamos um "clube para um treinador". E que precisávamos de um profissional que nos permitisse avançar na integração de diversas disciplinas, que seria o diferencial de nosso trabalho.
O treinador precisava ter perfil e formação que pemitisse um trabalho em equipe. Diferente daquele profissional para quem o clube entrega a chave do vestiário.
Pouco nos importava se este profissional seria gaúcho, ou de fora do estado. Alto ou baixo...
Precisávamos, também, alguém de diálogo com quem conseguíssemos começar uma integração técnica com as categorias de base.
Com o intuito de garantir o trabalho em equipe, integrar disciplinas, formatar um Departamento de Futebol com esta filosofia e, com isto obrter o máximo rendimento do grupo que nossa condição financeira permitisse, montamos uma matriz de análise dos profissionais com quem conversaríamos.
Foram em torno de 10 entrevistas. Como o Medina estava fora do País, fazia a entrevista e discutíamos por e-mail ou telefone. Ele também entrevistou alguns profissionais por lá, utilizando o mesmo critério.
Um dos treinadores com quem convesei foi o Ivo Wortmann, quem me colocou em contato com o Zé Mário, de quem tínhamos referências, mas com quem não conseguíamos contato.
Telefonei para ele, enviei uma passagem e conversamos durante quase uma tarde. Até hoje fico muito satisfeito quando escuto o Zé Mário dizer que foi a primeira vez em sua carreira que antes de falar em salário conseguiu discutir metodologia.
Ao final da tarde, ele voltou para o Rio de Janeiro. Após analisar a nossa conversa, obedecendo ao critério pré-estabelecido, percebi que estava diante do profissional que procurávamos.
O Zé Mário foi fundamental para a estabilidade que precisávamos no vestiário. Além de ser um grande profissional e um excelente caráter, mostrou personalidade e uma grande habilidade no relacionamento interpessoal. Qualidades fundamentais, para um treinador, na minha opinião.
Os primeiros meses foram bastante difíceis. A resistência começava no fato das pessoas não conhecerem o Zé Mário como treinador.
Tivemos grande integração desde as primeiras reuniões, passando a pré-temporada e nas dificuldades que se apresentaram na copa Sul Minas e no primeiro turno do campeonato gaúcho. Muitos queriam a troca do treinador, já jos primeiros meses. Mas sabíamos que estávamos começando um trabalho e que este etava sendo muito bem conduzido.
O segundo turno do campeonato gaúcho, na minha visão, nos deu maior segurança e alavancou a campanha do campeonato brasileiro.
São muitas as passagens que tivemos durante aquela intensa convivência. Talvez não lembre todas agora. Mas irei contando quando relato outros fatos e cito a participação do Zé. Conto, para isto, com a ajuda daqueles que viveram estes momentos.
A importância do Zé Mário no desenvolvimento de alguns atletas foi enorme. Ele foi fundamental, por exemplo, na afirmação do Lúcio e no lançamento do Fábio Rockembach.
Junto com o Zé Mário veio o Manoel dos Santos para o setor físico. Eles não se conheciam. O Manoel também foi importante naquele início difícil.
Mas foi no campeontato brasileiro em 2000 que tivemos os momentos mais importantes e as maiores alegrias. Nosso primeiro jogo "fora de casa" foi com o Botafogo. Toda a pressão externa, os acontecimentos do primeiro semestre e, especialmente, o que acontecera no campeonato brasileiro anterior (quando quase fomos rebaixados) faziam que eu me preocupasse muito com a campanha no brasileirão. Especialmente temia "fazer feio" comandando nosso time, Brasil a fora.
Ganhamos do Botafogo 1x0. Gol do Juca. Uma escolha pessoal do Zé Mário entre os atletas que jogaram a Copa São Paulo daquele ano. O Juca era reserva e chamou a atenção do Zé Mário, e pediu sua integração.
Vejam o tópico sobre o jogo no qual vencemos o Atlético-PR onde falo da forma que o Zé conduziu a orientação à equipe naquele intervalo.
Nos últimos jogos o Zé Mário estava suspenso. O Leandro Machado e o Guto Ferreira se revezaram para ficar à beira do gramado e repassar ao grupo suas orientações.
A suspensão ocorreu em função de uma expulsão no jogo com o Gama em Brasília. Foi um jogo inesquecível pelas circunstâncias e que marcou a estréia do Fábio Rockembach no grupo profissional. Não posso deixar de fazer um tópico sobre este jogo, que além de ter sido um divisor de águas, me oportunizou a grande amizade do Luis Henrique Oliveira, um coloradaço que mora em Brasília e hoje é conselheiro do clube.
A forma que terminamos o ano 2000, no futebol, transformou o Zé Mário numa unanimidade. Há um jornalisata que o comparava ao Ênio Andrade.
Passados alguns meses, do pior período de nossa gestão - em função das dificuldades financeiras -, a pressão contra o Zé Mário voltou. Naquele momento eu estava esgotado físicamente e com sérias dúvidas sobre o que poderíamos fazer para, pelo menos, manter um padrão razoável na nossa equipe. E nosso time era a "cara das dúvidas do Presidente". Evidentemente, eu era o responsável por não termos um bom rendimento.
Se por um lado tínhamos problemas ainda não resolvidos, por outro eu estava levando para dentro do vestiário, mesmo que de forma "não-verbal", esta preocupação.
Entre as "pressões" exercidas não esqueço algumas situações, que longe de serem decisivas - pela pouca significância de quem as exercia -, mas expressava bem o quanto era frágil a "parceria" de alguns que se aproximavam quando as coisas andavam bem, mas com quem não poderíamos contar nos momentos de dificuldade. "Conselheiros do Inter 2000" chegaram a pregar a demissão do treinador publicamente.
A soma das pressões tornou insustentável a possibilidade de darmos continuidade no trabalho com o Zé Mário.
Acertamos o pagamento da rescisão em 7 parcelas!!!
Perdi o treinador. Mas ganhei uma amizade da qual me orgulho. Apesar de não termos contato frequente, sempre que falamos me emociono lembrando o que fizemos.
Vou relatar a venda do Fábio Rockembach mais adiante. Mas cabe dizer aqui que quando fechei o negócio, em Paris, enre as poucas pessoas que escolhi para ligar, estava o Zé Mário a quem agradeci e informei que não precisaria mais dos 4 ou 5 meses que faltavam para quitar sua rescisão.
Há muito tempo o Zé Mário mantém o site: www.zemario.com.br


Fernando Miranda

6 comentários:

  1. Carlos De Capiva4 de abril de 2011 23:25

    Po meu Presidente, soubesse eu disso tudo, seus motivos pela contratação teria segurado minhas críticas ao Zé Mário.

    Por vezes pecamos nas críticas porque as informações que recebemos são precárias, não são verdadeiras e porque queremos sempre aquele treinador renomado que nem sempre, ou melhor, quase nunca, é certeza de sucesso.

    Bom saber que o Zé Mario não chegou por acaso e que seu trabalho foi importante para o Inter.

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  2. Meu amigo Miranda:
    Quanta honra ser citado em seu Blog.
    Tive o privilégio de testemunhar boa parte do teu trabalho. Tenho a certeza de que jamais nosso clube seria o que é hoje se não fosse pelas iniciativas da tua gestão. Pena que não comemoramos títulos. Mas isto não é tudo. O Inter precisava de ações corretivas e acima de tudo vislumbrar o futuro. Este futuro só pode ser construído com o alicerce de 2000-2001. A amizade conquistada é verdadeira e para a vida toda. És um amigo que sei que posso contar. Obrigado pela lembrança pública. Um grande abraço.
    Luiz Henrique - O coloradaço de Brasília!

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  3. O Zé Mário foi um excelente jogador numa época de craques (o vi várias vezes ao vivo) , foi capitão em todas as equipes em que jogou, um gentleman dentro e fora do campo, grande pessoa !

    Como técnico de futebol, apesar da suas grandes qualidades não teve grandes conquistas, mas é reconhecido como uma ´ilha` deste universo tão ´contaminado` !

    Já o Luiz Henrique nunca jogou nada, mas assim como o Zé Mário, fora de campo tem grandes virtudes e talentos...com o qual vem ajudando bastante o Clube na atual Condição de Conselheiro que mesmo morando em Brasilia se faz presente nas Reuniões em prol do Inter !

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  4. Nelson:

    Dá uma olhada no site do Zé Mário.
    Ele trabalhou a maior parte de sua carreira como treinador fora do país - que considero uma opção corretíssima - e, profissionalmente foi MUITO bem sucedido. /financeiramente e nas conquistas.

    Grande abraço,

    Fernando Miranda

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  5. Bah, show Presidente, que bom que divulgaste o site do zé mario, para eu poder manter contato com este grande treinador, muito obrigado.
    Leonardo de Souza, Pelotas, RS

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  6. Miranda!

    Olhei o site do Zé e já ´favoritei`, é bastante simples, fácil e didático !

    Abraço,
    Nelson

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