Estudamos o primeiro contato e nos manifestamos dizendo que, como estávamos no final do mandato, nos limitaríamos a levar ao Conselho Deliberativo, desde que a proposta contemplasse dois pontos básicos:
- A Demolição do estádio Beira-Rio só teria início após a conclusão do novo estádio (a idéia era a construção na mesma área do Beira-Rio);
- A construção do novo estádio só teria início após a conclusão do centro de treinamento que seria projetado pelo clube e construído sem ônus para o Internacional.
Aceitas estas condições, pedi que os proponentes viessem à Porto Alegre apresentar à líderes do Conselho Deliberativo a proposta para que analisássemos a viabilidade de apresentação da proposta.
Convidei, na véspera, diversos líderes do Conselho para reunião no Beira-Rio, no dia seguinte 8:00h, para tratar de assunto de interesse do clube. Por questão estratégica não disse o assunto. E pedi que a reunião não tivesse divulgação.
Acredito que todos convidados foram à reunião.
Quando cheguei ao Beira-Rio a imprensa estava presente e me perguntavam se eu buscava um "acordo" para as eleição que se aproximava.
Feita a apresentação, fizemos uma entrevista coletiva para explicar a razão da reunião.
A primeira pergunta foi sobre a razão pela qual eu queria "destruir" o Beira-Rio.
Expliquei que a idéia era de construção e não de destruição...
As manifestações políticas que se seguiram, em minha leitura, inviabilizaram que o clube levasse adiante nas décadas seguintes aquele encaminhamento.
Mas tenho certeza que cumpri o meu dever na condição de Presidente.
Continuo acreditando que a necessidade dos dias de hoje de um estádio que gere receita o ano todo (e não apenas em dias de jogo) necessita a construção de um novo estádio. Esta convicção está baseada em:
- As alterações arquitetônicas necessárias, para este foco, são muito importantes e, certamente, implicariam em custo extraordinário para alterar uma estrutura que não foi concebida para este fim, há 50 anos!
- As necessidades de manutenção da atual estrutura são consideráveis;
- O clube não tem nenhuma obrigação ou necessidade de alinhar sua estratégia com a realização da Copa do Mundo.
- A construção de um novo estádio pode trazer como ganho adicional a presença de um parceiro que administre a operação do estádio e a geração de receita para qual esta estrutura seria projetada, liberando o clube desta atividade que está longe de ser sua atividade fim. Para isto o Internacional jamais abriria mão de parcela considerável desta receita que seria muito maior do que a que existe hoje.
Fernando Miranda
Matéria da época enviada pelo meu amigo Tiago Issa
